Este blog está a um passo da loucura e do esquecimento. Daqui pra frente, o auzaimer cibernético tende a esticar suas garras afiadas e trêmulas sobre este desatento lugar. Alugar este espaço é impossível, logo, logro retirar esse espeço espaço e parar para quiçá jamais, ou já mais, fazer trocadilhos e jogos de palavras. Para lavras (e não larvas, nem lavas) do leitor é que um leito cheio de livros livres deve-se estender, pra entender. Este lugar está sendo fechado. Este post... aposto que você, leitor, pensava que já havia acabado. Aliás, gosto muito do aliás, o autor deste irregulardário está declarando seu fim. Não o fim que indica finitude, ou tutti finni, do italiano que inventei, mas um fim que indica uma finalidade. A idade final. Este blogue cansou de ser chamado de blog por vezes e por outras de blogue. Este blogue, ou blog, cansou de mim, pirou de vez e me esqueceu. Deixo ele por aqui. Vou por aqui as últimas palavras deste post, no aguardo de que este espaço volte a me querer, volte à sanidade que nunca teve e lembre da nostalgia de não sei que mundo e tempo distante...
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
A(na)lise (d)o discurso

Tão original quanto um disco do Coldplay, este blog resolve inventar a roda. Tão sistemático quanto a organização midiática nacional, este blog irá chover no molhado. Tão comum quanto um celular, esta publicação pretende construir seu castelinho de areia. Tão distorcido quanto um riff de cavaquinho no pedal, por aqui recriaremos o velho... Tão criativo, um poeta resolve continuar a variar sobre um mesmo tema.
domingo, 2 de outubro de 2011
Orwell deveria ter me consultado

Dia desses, li "A revolução dos bichos", do George Orwell. Entendi por que muitos dizem que é uma crítica ferrenha ao comunismo soviético. Mas eu julgo que também é uma crítica ao capitalismo. Ora, se os porcos da fazenda se tornam ruins como os humanos, é lógico que o comunismo é tão ruim quanto o capitalismo. Isso quer dizer que o capitalismo é ruim. Leitura simplória essa minha, mas falo de maneira resumida pra não encher meus leitores com tanta enrolação acadêmica. Mas o que me chamou a atenção é que eu teria escrito diferente. Tenho a minha versão pra história. Segue um resumo.
Se os bichos realmente se revoltassem contra os humanos, fariam diferente. Primeiro, tomariam alguns humanos pra ficar fazendo truques, mostrando sua amabilidade e dormindo na porta do galpão. Depois, pegariam os mais fortes e escravizariam. Colocariam a puxar carroça e a trabalhar na lavoura. Outros seriam colocados a procriar. Algum grupo de humanos seriam separados, de acordo com características físicas, pra que as mulheres engravidassem e depois extrair o leite delas pra consumo animal e fabricação de derivados. Outro grupo seria separado pra que lhe fossem extraídos o esperma e os óvulos pra alimentar os animais. Pra finalizar, alguns humanos seriam colocados em confinamento após o desmame, com a finalidade da engorda e do abate ao final da adolescência, após receberem uma carga descomunal de hormônios com a finalidade de acelerar o processo. Assim os animais realmente conseguiriam se igualarem à perversidade humana e a vingança seria real. Se bem que eu tenho lá as minhas dúvidas se os animais seriam capazes de tamanha selvageria.
E o amigo leitor, o que me diz? A sua versão de "A revolução dos bichos" seria diferente? Como seria?
Se os bichos realmente se revoltassem contra os humanos, fariam diferente. Primeiro, tomariam alguns humanos pra ficar fazendo truques, mostrando sua amabilidade e dormindo na porta do galpão. Depois, pegariam os mais fortes e escravizariam. Colocariam a puxar carroça e a trabalhar na lavoura. Outros seriam colocados a procriar. Algum grupo de humanos seriam separados, de acordo com características físicas, pra que as mulheres engravidassem e depois extrair o leite delas pra consumo animal e fabricação de derivados. Outro grupo seria separado pra que lhe fossem extraídos o esperma e os óvulos pra alimentar os animais. Pra finalizar, alguns humanos seriam colocados em confinamento após o desmame, com a finalidade da engorda e do abate ao final da adolescência, após receberem uma carga descomunal de hormônios com a finalidade de acelerar o processo. Assim os animais realmente conseguiriam se igualarem à perversidade humana e a vingança seria real. Se bem que eu tenho lá as minhas dúvidas se os animais seriam capazes de tamanha selvageria.
E o amigo leitor, o que me diz? A sua versão de "A revolução dos bichos" seria diferente? Como seria?
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Quero uma festa de 20 de setembro
Nesse 20 de setembro, quero uma festa punk! Quero uma festa que não tenha Fagundes. Que não toque o "Da Fronteira", nem os Teixeira. Quero uma festa punk! Se for pra ter música gaúcha, com direito a cacofonia e tudo, prefiro Replicantez.
Se for pra dançar num salão, prefiro Rock'a'Ula! Aposentei minha bombacha e vesti o velho jeans.
Se é pra manter as tradições, quero as tradições da verdadeira rebeldia. A rebeldia que realmente transforma algo. A rebeldia dum rife de guitarra distorcida. Eis os precursores da liberdade: Hendrix, John, Paul, Ringo, Jorge, Ian Anderson, James Jean, Elves Presley (copiador dos negros do Mississipi), todos os negros blueseiros do Mississipi, Zappa e toda ordem de desbravadores do progressivo, metaleiros e os anjos beiçudos do Jazz. Eis a verdadeira tradição da luta pela liberdade! Da liberdade de se poder fazer, pensar, querer e dizer, mas também a liberdade de poder não pensar, não querer, não dizer. A liberdade de se dizer "não quero", ao invés de dizer "aceito".
Mas não basta pra ser livre, escutar Jethro Tull, Tom Zé e Graforreia Xilarmônica. Quem não tem capacidade de entender que liberdade é saber incorporar o diferente e poder questionar o passado, acaba por ser ignorante.
Mostremos constantemente nosso valor: um valor que não significa nada sem o outro. Não há rock sem samba. Não há sul sem norte. Não há revolução sem mudança.
Quero uma festa punk!
Quero uma festa punk!
** há exatos dois anos, publiquei aqui um poema. Quem quiser, pode acessar clicando aqui, ou navegue no blog e descubra outras postagens que possam interessar ao leitor.
Se for pra dançar num salão, prefiro Rock'a'Ula! Aposentei minha bombacha e vesti o velho jeans.
Se é pra manter as tradições, quero as tradições da verdadeira rebeldia. A rebeldia que realmente transforma algo. A rebeldia dum rife de guitarra distorcida. Eis os precursores da liberdade: Hendrix, John, Paul, Ringo, Jorge, Ian Anderson, James Jean, Elves Presley (copiador dos negros do Mississipi), todos os negros blueseiros do Mississipi, Zappa e toda ordem de desbravadores do progressivo, metaleiros e os anjos beiçudos do Jazz. Eis a verdadeira tradição da luta pela liberdade! Da liberdade de se poder fazer, pensar, querer e dizer, mas também a liberdade de poder não pensar, não querer, não dizer. A liberdade de se dizer "não quero", ao invés de dizer "aceito".
Mas não basta pra ser livre, escutar Jethro Tull, Tom Zé e Graforreia Xilarmônica. Quem não tem capacidade de entender que liberdade é saber incorporar o diferente e poder questionar o passado, acaba por ser ignorante.
Mostremos constantemente nosso valor: um valor que não significa nada sem o outro. Não há rock sem samba. Não há sul sem norte. Não há revolução sem mudança.
Quero uma festa punk!
Quero uma festa punk!
** há exatos dois anos, publiquei aqui um poema. Quem quiser, pode acessar clicando aqui, ou navegue no blog e descubra outras postagens que possam interessar ao leitor.
sábado, 17 de setembro de 2011
Psicografando do e-mail
"Prezado otário,
como sei que és um bom gaúcho, queria pedir que publicasse essa homenagem à nossa terra e às nossas tradições que escrevi. Sei que não sou muito bom com as palavras, mas expressa o sentimento do verdadeiro povo do sul. E viva a Revolução Farroupilha!
Dia 20 chegando, preciso preparar minha pantalha. Passo o ano inteiro de caminhonete luxo pra cima e pra baixo, mas preciso andar a cavalo porque é dos meus costumes. Afinal, sou gaúcho. Minha pilcha já está pronta. Finalmente vou precisar usar meu traje típico e tirar o jeans do dia-a-dia. Vou votar na oposição porque honro minha tradição de sempre achar que sou mais politizado.
Tenho muito orgulho do nosso passado. Agradeço aos grandes produtores de charque que construiram nosso belo conjunto arquitetônico e que emprestaram os escravos pra construir os prédios públicos. Afinal, uma mão lavava a outra como ambas se lavam até hoje. Dos negros que herdaram a hipertensão dos antepassados escravos, não preciso lembrar. Afinal, vivemos num estado branco.
Algumas coisas do passado eu quero esquecer, mas ainda me atormentam: a quantidade de gente inocente que degolei, os camponeses que saqueei em nome da revolução que não revolucionou nada e os escravos para os quais eu prometi liberdade, mas vendi pros estancieiros mais do norte. São essas as façanhas que quero que sirvam de modelo a toda terra? Se não são, quais são?
Mas algo está havendo de errado comigo. De repente, me bateu uma vontade de mudar algumas coisas por aqui. Pretendo mudar o hino da república do esterco encefálico, como chamo carinhosamente este torrão onde nasci. Pretendo publicá-lo no data máxima (porque todos achamos o máximo) em que desfilamos nos trajes que costumamos andar sempre e nos meios de transporte de sempre, desde os anos 70, num grêmio estudantil de uma escola de cidade grande."
como sei que és um bom gaúcho, queria pedir que publicasse essa homenagem à nossa terra e às nossas tradições que escrevi. Sei que não sou muito bom com as palavras, mas expressa o sentimento do verdadeiro povo do sul. E viva a Revolução Farroupilha!
Dia 20 chegando, preciso preparar minha pantalha. Passo o ano inteiro de caminhonete luxo pra cima e pra baixo, mas preciso andar a cavalo porque é dos meus costumes. Afinal, sou gaúcho. Minha pilcha já está pronta. Finalmente vou precisar usar meu traje típico e tirar o jeans do dia-a-dia. Vou votar na oposição porque honro minha tradição de sempre achar que sou mais politizado.
Tenho muito orgulho do nosso passado. Agradeço aos grandes produtores de charque que construiram nosso belo conjunto arquitetônico e que emprestaram os escravos pra construir os prédios públicos. Afinal, uma mão lavava a outra como ambas se lavam até hoje. Dos negros que herdaram a hipertensão dos antepassados escravos, não preciso lembrar. Afinal, vivemos num estado branco.
Algumas coisas do passado eu quero esquecer, mas ainda me atormentam: a quantidade de gente inocente que degolei, os camponeses que saqueei em nome da revolução que não revolucionou nada e os escravos para os quais eu prometi liberdade, mas vendi pros estancieiros mais do norte. São essas as façanhas que quero que sirvam de modelo a toda terra? Se não são, quais são?
Mas algo está havendo de errado comigo. De repente, me bateu uma vontade de mudar algumas coisas por aqui. Pretendo mudar o hino da república do esterco encefálico, como chamo carinhosamente este torrão onde nasci. Pretendo publicá-lo no data máxima (porque todos achamos o máximo) em que desfilamos nos trajes que costumamos andar sempre e nos meios de transporte de sempre, desde os anos 70, num grêmio estudantil de uma escola de cidade grande."
* Este texto nada tem a ver com o autor deste blog. Foi recebido por e-mail de um tal de Astolpho Fagundes, com o pedido de publicação, conforme o leitor bem pode perceber no inicio do post. No entanto, este blogueiro prefere deixar pra homenagear a terra de São Pedro no dia dos desfiles.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
220v
O dia em que o calendário escolar tiver 220 dias letivos, serei o primeiro a me exonerar e partir pra política porque são os políticos que entendem de educação, não os professores!
domingo, 11 de setembro de 2011
Um 11 de setembro pra esquecer
Final de domingo, este blogueiro está sem assunto. Penso em falar dos jogos do final de semana ou da polêmica da vez. Mas não é bem isso que quero. Na verdade, quero mesmo é manter contato vivo com meus leitores. Todos os meus leitores são inteligentíssimos. Todos os dois. Não se engane com os "seguidores" da lateral da página. Tenho 16 pessoas cadastradas como acompanhantes do blog, mas tenho minhas dúvidas se realmente leem. E acredito que esses 16 sejam pessoas bem educadas e que ficam com dó deste blog, por isso não o deletam da lista. São pessoas honradas e amigas o suficiente pra dar uma forcinha, já que sou leitor do blog deles. Sou fã de quase todos. Só não sou dos que abandonaram seus blogs. Quer dizer, sou fã destes também, mas já não os leio mais. Até porque se fosse ler, seria um ato de repetição, porque já não postam há muito tempo.
O leitor já deve ter percebido que estou meio sem assunto. É que realmente não quero ver quem venceu ou quem perdeu na rodada do campeonato nacional, não quero ver qual o astro da bola que está envolvido em negociações absurdas, nem qual bandido foi preso. Não quero discutir a economia global decadente. Muito menos ficar repetindo que a crise não é crise, mas parte do processo de centralização de renda. Hoje não estou afim de me posicionar. Só quero um papo agradável com meus leitores.
Mas como nem tudo são flores, ainda há um assunto que me incomoda neste domingo. O pneu da minha bicicleta furou. Isso me deixou com muita raiva. Estava voltando do mercado, com o bagageiro cheio de compras e o pneu simplesmente começou a bater aro. Isso me revoltou! Por isso resolvi fazer terapia, igual às tias que escrevem poemas de amor ou saudade, pintam quadros de paisagens ou natureza morta, essas coisas, e postei aqui a experiência dolorosa.
Tá certo que a data é significativa pra humanidade, afinal, aquela atrocidade não pode ser esquecida. O que os EUA tentaram fazer com o Chile naquele 11 de setembro jamais deve cair no esquecimento. Mas não quero falar disso. A data marcou muito pra mim pelo fato do pneu da minha bicicleta ter furado. Quero esquecer o dia de hoje.
O leitor já deve ter percebido que estou meio sem assunto. É que realmente não quero ver quem venceu ou quem perdeu na rodada do campeonato nacional, não quero ver qual o astro da bola que está envolvido em negociações absurdas, nem qual bandido foi preso. Não quero discutir a economia global decadente. Muito menos ficar repetindo que a crise não é crise, mas parte do processo de centralização de renda. Hoje não estou afim de me posicionar. Só quero um papo agradável com meus leitores.
Mas como nem tudo são flores, ainda há um assunto que me incomoda neste domingo. O pneu da minha bicicleta furou. Isso me deixou com muita raiva. Estava voltando do mercado, com o bagageiro cheio de compras e o pneu simplesmente começou a bater aro. Isso me revoltou! Por isso resolvi fazer terapia, igual às tias que escrevem poemas de amor ou saudade, pintam quadros de paisagens ou natureza morta, essas coisas, e postei aqui a experiência dolorosa.
Tá certo que a data é significativa pra humanidade, afinal, aquela atrocidade não pode ser esquecida. O que os EUA tentaram fazer com o Chile naquele 11 de setembro jamais deve cair no esquecimento. Mas não quero falar disso. A data marcou muito pra mim pelo fato do pneu da minha bicicleta ter furado. Quero esquecer o dia de hoje.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Sete de setembro, ora física
Depois que pegaram no meu pau-brasil, esta terra jamais foi a mesma. Aqui chegaram diversos grupos étnicos: europeus de toda ordem imaginável, gente do oriente médio e alguns asiáticos. Só não vieram negros. Não os vejo por aí. Digo, eu até os vejo, mas há quem não os Veja.
Depois que sugaram o meu pau-brasil, aqui, na terra em que se plantando tudo dá, deu no que falar: falamos de tudo, desde a gordura do gorducho, os dentes do dentuço, a CNH do mascarado, da mesadinha política e da farra de fevereiro. Só não se fala de quem fala.
Depois que se empalaram no meu pau-brasil, confundiu-se fatos, atos e boatos. Boatos que também (e tão bem) se plantam, atos falhos e fatos inusitados. Tudo genérico e mais caro. É, meu caro. Então, entoamos a canção que chamo de "Nó suíno":
Depois que sugaram o meu pau-brasil, aqui, na terra em que se plantando tudo dá, deu no que falar: falamos de tudo, desde a gordura do gorducho, os dentes do dentuço, a CNH do mascarado, da mesadinha política e da farra de fevereiro. Só não se fala de quem fala.
Depois que se empalaram no meu pau-brasil, confundiu-se fatos, atos e boatos. Boatos que também (e tão bem) se plantam, atos falhos e fatos inusitados. Tudo genérico e mais caro. É, meu caro. Então, entoamos a canção que chamo de "Nó suíno":
Ou vimos do Ipiranga, à margem
clássicas
deu um povo herói cobrado entumbante
E o aerosol do spray tomou a liberdade
em raios fugidios
e brigou no seu, a Pátria deslisante
Foi pro penhor da Caixa
a nossa igualdade
e conseguimos conquistar a bela mulata
em teu seio, sugo e me lembuzo
e desfio e desenfio o desafio da própria sorte
Ó pata brada, pataquada sorve sorve
enterra do nada
é uma lástima que perdure a macaquice
que te desmanchem como um brinquedo de montar
que te entreguem como bolo em banquete
Ainda assim, és mãe gentil
pra quem te destrói, o covil.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Tá na hora do Alfredo: "He it clock" e o papel?
Ah, se o Alfredo falasse
se ao menos deixassem
se o papel que lhe cabe tivesse travessão
Mas o Alfredo é mudo na ficção
e fixa uma imagem, apenas
não só o mentecapto, como também o Neve
sua imagem e semelhança
Então espere sentado pelo papel que te darão, Alfredo
(Enquanto isso, Alfredo ri, de coque)
sábado, 27 de agosto de 2011
Setembro promete, mas agosto cumpre
Este blog voltará a bombar! Já é a segunda no mês. Mas antes de mais nada, aviso aos caros e raros leitores: estão por vir duas datas cívicas comemorativas setembrinas: dia 7, alusivo à independência dobrabil, digo, do Brasil - além do centenário do G. E. Brasil de Pelotas - e o dia 20, que vale apenas ao RS. Nas duas datas, prometo postagens alusivas. Aliás, a da data gaúcha virá com uma repostagem. Não percam. Mas voltemos aos assuntos relevantes, não que esses que citei sejam irrelevantes ou desprezíveis. Não são. Essas datas são importantes pra gente lembrar algumas coisas esquecidas, como uma piada-clichê (aqui eu diria algo do tipo: a data é importante pra lembrar de algo esquecido, mas eu também esqueci, mas isso é tão clichê - não confundir com chiclé). Tá bem, leitor, já enrolei o suficiente. Vamos à narrativa de hoje.
Ontem, estive numa reunião de comunidade escolar, chamada de conferência. Não era pra conferir nada, embora o nome sugira. Mas valia pra debater coisas relevantes, como a cor do uniforme escolar e se as mães deveriam ou não tomar chimarrão assistindo novela enquanto os alunos estão na escola à tarde. Como o leitor deve saber, e digo deve no sentido de precisar e dever, uma conferência toma decisões importantes e encaminha diretrizes pra ações de governos. Tudo que for decidido, deve ser cumprido por quem deve fazer as coisas. Em todo caso, discutimos muito a questão de os alunos usarem ou não uniforme. Eu sugeri que usassem um poliforme, mas fui voto vencido. Depois discutimos se os alunos farão curso de desengraxate de rebite ou rebitador de desfibrilador. Sugeri que eles fizessem uma capacitação em conhecer a relevância em saber selecionar melhor os assuntos prioritários e esquecer as picuinhas, mas nem me deram ouvidos. Depois, a discussão ficou mais séria e houve uma proposta pra que a educação se tornasse um ato de o professor entrar na sala de aula, onde estivessem entre 25 e 35 alunos, o profissional passar a matéria no quadro e os estudantes copiassem. Algo assim, tipo um detentor do saber e um bando de abobados que ficam em silêncio, mantendo a ordem que só importa a quem detém o poder. Resolvi palpitar que a gente poderia discutir alternativas, como uma escola mais livre, constituída por livres pensadores, onde os alunos fossem desafiados, onde a pesquisa fosse o ponto forte e que fossem abolidas as mesas. Acharam meu pensamento muito retrô e não quiseram nem discutir. Desde então, resolvi me calar e me ater apenas a votar, quando fosse chamado. Daí veio a proposta de chamar instituições externas pra uma intervenção, o que acabei votando favoravelmente, embora eu saiba que isso já ocorre. Aliás, ocorre da maneira mais superficial possível, só pra entrar no relatório. Depois foi comentada a pífia presença de pais no evento, o que foi justificado que muitas mães ficam na frente de casa tomando chimarrão e não vão à escola decidir as coisas importantes. Lembraram que a escola recebeu tudo pra organizar em menos de uma semana, sobre assuntos que deveriam ser discutidos em meses de encontros e isso prejudicou a divulgação da coisa toda. Então, as mães tinha toda a razão em querer ver o vale a pena, porque ver de novo tudo aquilo que já vínhamos discutindo pra continuar tudo como está, vale muito mais a pena um mate. E a discussão se estendeu até chegar num calo. Surgiu a sugestão de que a lei do piso dos professores fosse cumprida. E teve a justificativa: uma educação de qualidade passa por valorização dos profissionais. Um pai levantou a voz, não que os pais não tivessem levantado a voz antes, mas esse foi mais específico, já que os outros entraram em debates de maneira mais séria, mas esse eu faço questão de apontar. O tal pai levantou a voz pra questionar: quer dizer que a minha filha tem péssimas notas e não aprende nada porque vocês são mal pagos? Se vocês ganharem bem ela vai passar e aprender? E fez uma cara de deboche. Com essa atitude, nos acusou de sermos mercenários. Alguns colegas defenderam direitinho, mas sem convencer muito. Outros pais também responderam ao acusador. Eu fiquei com uma enorme vontade de dizer-lhe: trabalho das 7h e 30min às 17h na escola e depois vou até as 21, 22h fazendo as atividades necessárias. Ninguém ensina o que não sabe. Pra saber, precisa estudar, pesquisar, ler. Pra isso, precisa buscar essas informações. Essas informações estão, basicamente, em livros e requerem tempo. Logo, pra conseguir ensinar melhor a filha dele, eu precisaria de tempo livre e dinheiro livre pra tudo isso. E eu não consigo ter o mesmo entusiasmo pra trabalhar com o que ganho, porque tenho que viver sem nenhum tostão a partir do décimo dia do mês. Por isso a lei do piso deve ser cumprida. Não é uma questão pessoal minha ou de vaidade do professor. É uma necessidade de toda a sociedade. Mas resolvi continuar calado. Deixei que a coisa andasse, porque, creio, já haviam tantas respostas que a minha só iria esticar mais o debate e se perderia o foco nas coisas relevantes, como a cor do giz que deve ser adotada no título do texto que vai pro quadro.
Ufa! Duas num mês! To recuperando a velha forma!
Ontem, estive numa reunião de comunidade escolar, chamada de conferência. Não era pra conferir nada, embora o nome sugira. Mas valia pra debater coisas relevantes, como a cor do uniforme escolar e se as mães deveriam ou não tomar chimarrão assistindo novela enquanto os alunos estão na escola à tarde. Como o leitor deve saber, e digo deve no sentido de precisar e dever, uma conferência toma decisões importantes e encaminha diretrizes pra ações de governos. Tudo que for decidido, deve ser cumprido por quem deve fazer as coisas. Em todo caso, discutimos muito a questão de os alunos usarem ou não uniforme. Eu sugeri que usassem um poliforme, mas fui voto vencido. Depois discutimos se os alunos farão curso de desengraxate de rebite ou rebitador de desfibrilador. Sugeri que eles fizessem uma capacitação em conhecer a relevância em saber selecionar melhor os assuntos prioritários e esquecer as picuinhas, mas nem me deram ouvidos. Depois, a discussão ficou mais séria e houve uma proposta pra que a educação se tornasse um ato de o professor entrar na sala de aula, onde estivessem entre 25 e 35 alunos, o profissional passar a matéria no quadro e os estudantes copiassem. Algo assim, tipo um detentor do saber e um bando de abobados que ficam em silêncio, mantendo a ordem que só importa a quem detém o poder. Resolvi palpitar que a gente poderia discutir alternativas, como uma escola mais livre, constituída por livres pensadores, onde os alunos fossem desafiados, onde a pesquisa fosse o ponto forte e que fossem abolidas as mesas. Acharam meu pensamento muito retrô e não quiseram nem discutir. Desde então, resolvi me calar e me ater apenas a votar, quando fosse chamado. Daí veio a proposta de chamar instituições externas pra uma intervenção, o que acabei votando favoravelmente, embora eu saiba que isso já ocorre. Aliás, ocorre da maneira mais superficial possível, só pra entrar no relatório. Depois foi comentada a pífia presença de pais no evento, o que foi justificado que muitas mães ficam na frente de casa tomando chimarrão e não vão à escola decidir as coisas importantes. Lembraram que a escola recebeu tudo pra organizar em menos de uma semana, sobre assuntos que deveriam ser discutidos em meses de encontros e isso prejudicou a divulgação da coisa toda. Então, as mães tinha toda a razão em querer ver o vale a pena, porque ver de novo tudo aquilo que já vínhamos discutindo pra continuar tudo como está, vale muito mais a pena um mate. E a discussão se estendeu até chegar num calo. Surgiu a sugestão de que a lei do piso dos professores fosse cumprida. E teve a justificativa: uma educação de qualidade passa por valorização dos profissionais. Um pai levantou a voz, não que os pais não tivessem levantado a voz antes, mas esse foi mais específico, já que os outros entraram em debates de maneira mais séria, mas esse eu faço questão de apontar. O tal pai levantou a voz pra questionar: quer dizer que a minha filha tem péssimas notas e não aprende nada porque vocês são mal pagos? Se vocês ganharem bem ela vai passar e aprender? E fez uma cara de deboche. Com essa atitude, nos acusou de sermos mercenários. Alguns colegas defenderam direitinho, mas sem convencer muito. Outros pais também responderam ao acusador. Eu fiquei com uma enorme vontade de dizer-lhe: trabalho das 7h e 30min às 17h na escola e depois vou até as 21, 22h fazendo as atividades necessárias. Ninguém ensina o que não sabe. Pra saber, precisa estudar, pesquisar, ler. Pra isso, precisa buscar essas informações. Essas informações estão, basicamente, em livros e requerem tempo. Logo, pra conseguir ensinar melhor a filha dele, eu precisaria de tempo livre e dinheiro livre pra tudo isso. E eu não consigo ter o mesmo entusiasmo pra trabalhar com o que ganho, porque tenho que viver sem nenhum tostão a partir do décimo dia do mês. Por isso a lei do piso deve ser cumprida. Não é uma questão pessoal minha ou de vaidade do professor. É uma necessidade de toda a sociedade. Mas resolvi continuar calado. Deixei que a coisa andasse, porque, creio, já haviam tantas respostas que a minha só iria esticar mais o debate e se perderia o foco nas coisas relevantes, como a cor do giz que deve ser adotada no título do texto que vai pro quadro.
Ufa! Duas num mês! To recuperando a velha forma!
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Muito tempo pra nada
Sacudindo a poeira deste espaço, vai um exercício de análise semântica. Quero analisar um termo muito utilizado como subterfugio e que tem muita gente que pensa que não diz nada, mas que na verdade, diz muito mais. Pensando bem, o termo é exatamente o contrário do que pensam dele. E eu estou usando períodos curtos demais. Em excesso, diria. Curtíssimos. Mas não vem ao caso. O termo utilizado, que quer dizer exatamente o contrário do que a maioria das pessoas pensam e que expressa muito mais do que aparenta, constrói um axioma aparentemente vazio e que só é utilizado para fins de humor, não o líquido nem o aquoso, mas o humor rísido, é um do qual não sou a favor, nem contra, muito antes pelo contrário. Espera. Vou mudar o termo. Acho que este que falei há pouco é muito mais significativo e encaixa perfeitamente no que havia comentado antes, neste mesmo parágrafo, mas em período anterior, o que me poupa tempo de ficar revisando e substituindo expressões e procurando soluções, além de ficar melhor. Analisemos então o termo "nem a favor, nem contra, muito pelo contrário.". Vamos à análise, antes que o leitor canse da leitura. Aliás, duvido que alguém continue lendo este blog. Em todo caso...
A expressão em questão, baseia-se em duas lógicas. A primeira delas é de contrariar duas situações antagônicas: ser a favor ou ser contra. Parte do ponto de vista do gaúcho tradicionalista, aquele que acha que ou se é de direita ou se é de esquerda, não existindo nada além disso. Nem falo em futebol, porque isso é uma coisa que muito me irrita nesse estado pretensamente bipolarizado. É a visão de que só do outro lado é que é uma ditadura. Tem gente que ama o Pinochet, dizendo que ele "fez uma limpa no Chile" e odeia Fidel Castro porque "é um ditador", e vice-versa. A segunda questão é exatamente a contrariedade disso. É dizer: no RS não existe só aqueles que jogam de pijama e aqueles que são um balcão de negócios de carne humana. Muito pelo contrário: existem aqueles que suam a camiseta, especialmente no interior. Existem índios valentes, milhares de apaixonados índios valentes. Mas isso é desprezado pela mídia pra impor uma pseudo-dicotomia. Mas vamos a um exemplo mais claro, pra não vincular apenas a um espaço. Vejamos a questão do desarmamento, do ponto de vista de quem quer diminuir a violência, o que engloba uma parcela considerável da população mundial.
Ser favorável ou contrário, pouco importa. Existem diversos argumentos que podem servir tanto a um lado quanto ao outro. O que diferencia tudo é o objetivo em se ter uma arma. Quem tem uma com o pretexto da defesa, é um violento em potencial. Esse tem a vontade mesmo é de usar o instrumento. São as pessoas que acreditam que a propriedade é o suprassumo da felicidade* e estão dispostos a matar "pra garantir o que é seu". De outro lado, não ter arma por julgar que ela é culpada pela violência também é um erro. Quem tem vontade de matar, mata com as mãos, ataca em bando, atira pedras ou envenena. Existem muitas maneiras de fazer isso. Não é a existência da pólvora que transforma o mundo em carnificina. Muito pelo contrário. O "muito pelo contrário" é exatamente isso: procurar um outro ângulo menos obtuso. O "muito pelo contrário" provém de quem quer dizer que alguém poderá ter uma arma como peça decorativa, mesmo que seja uma decoração de mau gosto. O que conta é a existência de um dedo no gatilho e não o fato de existir um gatilho.
A expressão em questão, baseia-se em duas lógicas. A primeira delas é de contrariar duas situações antagônicas: ser a favor ou ser contra. Parte do ponto de vista do gaúcho tradicionalista, aquele que acha que ou se é de direita ou se é de esquerda, não existindo nada além disso. Nem falo em futebol, porque isso é uma coisa que muito me irrita nesse estado pretensamente bipolarizado. É a visão de que só do outro lado é que é uma ditadura. Tem gente que ama o Pinochet, dizendo que ele "fez uma limpa no Chile" e odeia Fidel Castro porque "é um ditador", e vice-versa. A segunda questão é exatamente a contrariedade disso. É dizer: no RS não existe só aqueles que jogam de pijama e aqueles que são um balcão de negócios de carne humana. Muito pelo contrário: existem aqueles que suam a camiseta, especialmente no interior. Existem índios valentes, milhares de apaixonados índios valentes. Mas isso é desprezado pela mídia pra impor uma pseudo-dicotomia. Mas vamos a um exemplo mais claro, pra não vincular apenas a um espaço. Vejamos a questão do desarmamento, do ponto de vista de quem quer diminuir a violência, o que engloba uma parcela considerável da população mundial.
Ser favorável ou contrário, pouco importa. Existem diversos argumentos que podem servir tanto a um lado quanto ao outro. O que diferencia tudo é o objetivo em se ter uma arma. Quem tem uma com o pretexto da defesa, é um violento em potencial. Esse tem a vontade mesmo é de usar o instrumento. São as pessoas que acreditam que a propriedade é o suprassumo da felicidade* e estão dispostos a matar "pra garantir o que é seu". De outro lado, não ter arma por julgar que ela é culpada pela violência também é um erro. Quem tem vontade de matar, mata com as mãos, ataca em bando, atira pedras ou envenena. Existem muitas maneiras de fazer isso. Não é a existência da pólvora que transforma o mundo em carnificina. Muito pelo contrário. O "muito pelo contrário" é exatamente isso: procurar um outro ângulo menos obtuso. O "muito pelo contrário" provém de quem quer dizer que alguém poderá ter uma arma como peça decorativa, mesmo que seja uma decoração de mau gosto. O que conta é a existência de um dedo no gatilho e não o fato de existir um gatilho.
* Citar a questão da propriedade me fez lembrar que muita gente adora falar no clichê "ter e não ser". Este blog acaba de banir tal expressão pro bem de manter a paciência do blogueiro dentro dos limites possíveis.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Mais chatice
Minha patética poética-tica
Folha não farfalha: gargalha com o galho
engana-se quem pensa que poesia é só bijouteria
é loteria, prego e maca
e a má cacofonia "heróico brado"
a qual refere o cego e nosso híno
cambalha na galhofa e escangalha
tanto eu como você
E para lamentar, um parlamentar recorre ao bardo
cobrado por razões escancaradas
corado segue o coro dos contentes
descontentes seguem todos os demais
Discuto, logo, existo
desisto e parto ao parto
afino o instrume do momento
e o ventilador se encarrega do restante.
Folha não farfalha: gargalha com o galho
engana-se quem pensa que poesia é só bijouteria
é loteria, prego e maca
e a má cacofonia "heróico brado"
a qual refere o cego e nosso híno
cambalha na galhofa e escangalha
tanto eu como você
E para lamentar, um parlamentar recorre ao bardo
cobrado por razões escancaradas
corado segue o coro dos contentes
descontentes seguem todos os demais
Discuto, logo, existo
desisto e parto ao parto
afino o instrume do momento
e o ventilador se encarrega do restante.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Poeteiro, eu?
Não sou poeta. Aliás, pouco entendo de poesia. Gostaria de entender mais. Fico entusiasmado quando leio o blog Ensaio Lírico do meu amigo Leonardo. Poemas que me agradam em cheio. Agora há pouco vi que também o Douto e Profano também poetou metalinguisticamente. Outros poetas também me chamam atenção, mas não vou ficar discorrendo senão perde a graça e cansa.
Como disse, não sou poeta. Mas sou invejoso. E como! Por isso, resolvi comer a ideia deles e postar um poeminha que escrevi há algum tempo. Claro, em outros momentos, cheguei a postar meus versinhos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Mas dessa vez é diferente. Dessa vez é pura inveja dos amigos. Inveja das brabas!
Sem mais delongas, segue o que obrei:
Como disse, não sou poeta. Mas sou invejoso. E como! Por isso, resolvi comer a ideia deles e postar um poeminha que escrevi há algum tempo. Claro, em outros momentos, cheguei a postar meus versinhos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Mas dessa vez é diferente. Dessa vez é pura inveja dos amigos. Inveja das brabas!
Sem mais delongas, segue o que obrei:
Ao verso a fundo
- Para Silvia Saint
Falo que arde em paixão
adentra e servil soluço
digo a ti que o rijo riso
cabe em Pandora ou na caixa
quanto ao sentido que aguço
espreme um creme, leva e traz
espesso como a clara
Eleva, atrás e leva - a traz
azeito o cilindro, preparo o talo
E prepare o verso para meu eu.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Grandes letras, nenhuma diferença...
A morte do Obama pelas mãos do Osama, digo, a morte do Osama pelas mãos do Obama é a invenção da inversão.
domingo, 6 de março de 2011
O pedal e o motor
Experimente ir de bicicleta pro trabalho. Tente por um dia. Esqueça o cansaço, saia mais cedo e prepare-se pra voltar mais tarde, pegue a magrela e vá, sem medo.
Se mora muito longe do trampo, sugiro que tente ir de bicicleta ao mercado ou visitar alguém. Troque o motor pelo pedal ao menos uma vez. Tenha essa experiência.
Tenha o prazer de desfrutar de uma visão singular que somente um passeio num veículo mais leve e mais lento é capaz de proporcionar. Ande de bicicleta, mas sem fones de ouvido. Pedale olhando e ouvindo o mundo em volta. Desfrute disso. Não esqueça do alongamento. Não esqueça de que o corpo acostuma com a exigência. Não esqueça que o combustível economizado fará diferença. Esqueça o tráfego irritante, os xingamentos de quem perde a paciência, a pressa. Esqueça tudo durante o percurso. Use filtro solar (não, não chamo os idiotas de heróis...). Pedale!
Através desse apelo, noticio com perplexidade, que o blog Massa Crítica - POA vem recebendo mensagens de ameaça e terror. São motoristas que sentem seus automóveis ameaçados por veículos mais potentes, no caso a bicicleta. Tudo noticiado no Sul21. Clique nos links e fique horrorizado também.
Depois, pegue sua bicicleta e saia com ela. Se não tem, faça um esforço e compre a sua. Vale a pena. O mundo será muito mais feliz!
Se mora muito longe do trampo, sugiro que tente ir de bicicleta ao mercado ou visitar alguém. Troque o motor pelo pedal ao menos uma vez. Tenha essa experiência.
Tenha o prazer de desfrutar de uma visão singular que somente um passeio num veículo mais leve e mais lento é capaz de proporcionar. Ande de bicicleta, mas sem fones de ouvido. Pedale olhando e ouvindo o mundo em volta. Desfrute disso. Não esqueça do alongamento. Não esqueça de que o corpo acostuma com a exigência. Não esqueça que o combustível economizado fará diferença. Esqueça o tráfego irritante, os xingamentos de quem perde a paciência, a pressa. Esqueça tudo durante o percurso. Use filtro solar (não, não chamo os idiotas de heróis...). Pedale!
Através desse apelo, noticio com perplexidade, que o blog Massa Crítica - POA vem recebendo mensagens de ameaça e terror. São motoristas que sentem seus automóveis ameaçados por veículos mais potentes, no caso a bicicleta. Tudo noticiado no Sul21. Clique nos links e fique horrorizado também.
Depois, pegue sua bicicleta e saia com ela. Se não tem, faça um esforço e compre a sua. Vale a pena. O mundo será muito mais feliz!
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Cordiais saudações
Wikileaks
A América soluça:
"A solução é dissolver Assange"
Wikileaks
A América rica fica
se comunica e se trumbica
Wikileaks
A Mary, cá, perdeu os seu segredos
Wikileaks
Morro de Velho
(Alemão? Cruzeiro?)
Não leio tudo.
Ouvi o choro da Mary, cá
Ouvi o soluço da América
Wikileaks
A América soluça:
"A solução é dissolver Assange"
Wikileaks
A América rica fica
se comunica e se trumbica
Wikileaks
A Mary, cá, perdeu os seu segredos
Wikileaks
Morro de Velho
(Alemão? Cruzeiro?)
Não leio tudo.
Ouvi o choro da Mary, cá
Ouvi o soluço da América
Wikileaks
sábado, 13 de novembro de 2010
Sábado animado: vídeo e rádio
Encontrei, não por acaso, um vídeo que me fez ter boas risadas. Tive acesso a ele através de uma notícia enviada pelo blogueiro responsável pelo Os Seelwas e que será apresentada daqui alguns minutos no programa Tons & Ecos, da radiovidasul.org
O referido trabalho radiofônico é produzido pelo movimento ambientalista VerdeNovo e este blogueiro participa como convidado. Portanto, é possível conhecer minha voz de cantor de banheiro e dar umas risadas dos meus pitacos.
A produção audiovisual é autoexplicativa. Basta clicar no play e conferir.
O vídeo está aí em baixo e o programa pode ser ouvido, como em todos os sábados, a partir das 19h, clicando no link da rádio aí em cima.
O referido trabalho radiofônico é produzido pelo movimento ambientalista VerdeNovo e este blogueiro participa como convidado. Portanto, é possível conhecer minha voz de cantor de banheiro e dar umas risadas dos meus pitacos.
A produção audiovisual é autoexplicativa. Basta clicar no play e conferir.
O vídeo está aí em baixo e o programa pode ser ouvido, como em todos os sábados, a partir das 19h, clicando no link da rádio aí em cima.
domingo, 7 de novembro de 2010
Meta-se na ficção: metaficção
Sempre quis ser escritor. Desde a infância inventava histórias (o termo "estória", pro meu gosto, é apenas um fabuloso neologismo do Guimarães Rosa). As minhas sempre eram contadas como se fossem reais, assim com são escritos os livros de história da escola. Então eu procurava ser o mais verossímel possívil, digo, veromíssil povíssel, ou melhor... melhor deixar pra lá. Sempre procurei deixar os fatos contados com jeito de fatos reais. Buscava fazer com que os meus ouvintes acreditassem mesmo que havia acontecido certa vez na casa de um tio que morava na fronteira com o Uruguai ou quando aprendi a nadar por ter sido deixado, sem querer, pelo meu avô, em terra firme enquanto ele e meu tio saíam de barco pra pescar e que fui nadando até a embarcação, coisa de uns cinco metros. De fato, tinha tios que moravam na fronteira com o Uruguai, mas não ocorriam histórias malucas pra serem contadas numa roda de amigos. Além disso, aprendi a nadar numa praia de lagoa, em que a profundidade mal chegava a deixar a água molhar o saco. Mas a maneira com que contava as histórias, sempre procurando torná-las críveis, é que acabava sendo interessante, mesmo que meus amigos desconfiassem do teor de verdade em cada uma delas. O que lhes importava, acredito, era que tudo parecia real e rendiam boas risadas ou mijo na cama.
Assim iniciou minha carreira de escritor. A carreira de um escritor que ainda não conseguiu concluir um conto sequer, muito menos publicar algo em livro. Mas creio que isso não me tira o caráter de escritor. Invento histórias e as escrevo e isso é o que importa. Evidentemente, em respeito aos leitores deste espaço, não as publico aqui. Quem sabe algum dia eu as consiga concluir e publicar em formato impresso, pra ser lançado em feira do livro ou coisas do gênero. Além de escritor, também sou pretensioso crítico literário. Digo pretensioso porque, embora especialista certificado na área, sei que ainda tenho muito chão pra andar e muito livro pra folhear. Minha especialização, portanto, é em Literatura Comparada. Nessa área, o importante é analisar alguns aspectos de determinada obra e observar como se relaciona com outra ou com outras áreas do conhecimento. Pra demonstrar um pouco como isso funciona na prática, resolvi fazer uma pequena análise usando duas obras externas à literatura, ainda que narrativas e adotando apenas alguns aspectos. Escolhi analisar "Saneamento Básico - O filme", de Jorge Furtado e "Os Simpsons - O filme", de Matt Groening. Alerto, no entanto, o leitor, que será uma curtíssima análise, na qual apontarei algumas aproximações entre a obra cinematográfica de Furtado e o desenho animado de Groening. Depois dessa crítitica que segue, tentarei contar uma das peripécias que aconteciam na casa dos meus tios. Das que realmente aconteciam, não as que inventei. Aí meus leitores saberão o quão sem graça eram os fatos que eu precisava distorcer. Mas primeiro apresento o ensaio.
Assim iniciou minha carreira de escritor. A carreira de um escritor que ainda não conseguiu concluir um conto sequer, muito menos publicar algo em livro. Mas creio que isso não me tira o caráter de escritor. Invento histórias e as escrevo e isso é o que importa. Evidentemente, em respeito aos leitores deste espaço, não as publico aqui. Quem sabe algum dia eu as consiga concluir e publicar em formato impresso, pra ser lançado em feira do livro ou coisas do gênero. Além de escritor, também sou pretensioso crítico literário. Digo pretensioso porque, embora especialista certificado na área, sei que ainda tenho muito chão pra andar e muito livro pra folhear. Minha especialização, portanto, é em Literatura Comparada. Nessa área, o importante é analisar alguns aspectos de determinada obra e observar como se relaciona com outra ou com outras áreas do conhecimento. Pra demonstrar um pouco como isso funciona na prática, resolvi fazer uma pequena análise usando duas obras externas à literatura, ainda que narrativas e adotando apenas alguns aspectos. Escolhi analisar "Saneamento Básico - O filme", de Jorge Furtado e "Os Simpsons - O filme", de Matt Groening. Alerto, no entanto, o leitor, que será uma curtíssima análise, na qual apontarei algumas aproximações entre a obra cinematográfica de Furtado e o desenho animado de Groening. Depois dessa crítitica que segue, tentarei contar uma das peripécias que aconteciam na casa dos meus tios. Das que realmente aconteciam, não as que inventei. Aí meus leitores saberão o quão sem graça eram os fatos que eu precisava distorcer. Mas primeiro apresento o ensaio.
Springfield e Linha Cristal: Os filmes
Um dos temas mais caros à humanidade nos últimos tempos é a preocupação com questões ambientais. As mudanças climáticas e o esgotamento dos recursos terrestres são questões que fazem com que cientistas, entidades não-governamentais, políticos e a classe artística tomem um discurso forte em torno das soluções a esses problemas.
No mesmo caminho, duas obras que chegaram aos cinemas brasileiros no ano de 2007 chamam atenção. São elas Saneamento básico - o filme, do gaúcho Jorge Furtado, e Os Simpsons - o filme, do norteamericano Matt Groening.
No primeiro, os moradores da localidade chamada Linha Cristal (que bem poderia ser qualquer povoado brasileiro) estão preocupados com um esgoto a céu aberto que causa diversos problemas de saúde pública. Para a solução do problema, a população pleiteia há muito tempo a construção de uma fossa. Para tanto, reunem-se no início do filme os próprios moradores. Porém, a narrativa inicia antes de surgirem as imagens, com a personagem Marina (Fernanda Torres) chamando o público do cinema a acomodar-se. Há um diálogo, portanto, entre a personagem e a plateia. Ao iniciarem as imagens, percebe-se que o diálogo, na verdade, ocorre entre Marina e os demais habitantes do lugar que estão chegando para o encontro.
Na segunda obra, o lago que banha a cidade de Springfield, nos Estados Unidos (o número de cidades norteamericanas com esse nome é difícil de saber, portanto, poderia ser qualquer cidade daquele país) está totalmente poluído. Nesse ponto, ocorre a primeira aproximação entre as narrativas. De um lado, há um esgoto a céu aberto que está causando danos ambientais, de outro, há um lago que já não mais suporta receber dejetos e também implica em consequências ambientais difíceis.
A segunda aproximação entre as obras ocorre quando Homer Simpson está assistindo, junto com sua família, um desenho animado num cinema, e resolve criticar o fato de alguém pagar para assistir algo que passa gratuitamente na televisão, inclusive apontando para quem seriam as pessoas que disperdiçam dinheiro até chegar a apontar para o expectador. O diálogo criado entre Marina e o público aparece de maneira diferente entre Homer e quem está assistindo ao filme, porém, pode-se afirmar que o diálogo direto personagem-público existe.
Outra aproximação interessante entre as narrativas é a metaficção. Se os Simpsons assistem desenho animado no cinema, O monstro do fosso é uma obra ficcional cinematográfica produzida e apresentada pelos moradores de Linha Cristal. Nesse filme encapsulado, a poluição no córrego gerou um monstro adormecido que é acordado pelas obras de construção de um fosso (ou fossa, conforme discussão entre as personagens) e que poderia por Linha Cristal em risco. De maneira similar, embora não esteja integrando uma "narrativa dentro da narrativa", o lago de Springfield, devido à quantidade de dejetos, cria um "monstrinho": um peixe de muitos olhos que acaba por trazer sérias consequências à cidade.
Em termos formais das obras, o destaque mesmo continua no ponto do metaficcional. De um lado, um filme sobre quem produz um filme e de outro um desenho animado sobre quem assiste desenho animado. Nesse ponto, ambos os trabalhos conseguem realizar autocrítica e discutir a validade das obras dos seus respectivos gêneros.
No mesmo caminho, duas obras que chegaram aos cinemas brasileiros no ano de 2007 chamam atenção. São elas Saneamento básico - o filme, do gaúcho Jorge Furtado, e Os Simpsons - o filme, do norteamericano Matt Groening.
No primeiro, os moradores da localidade chamada Linha Cristal (que bem poderia ser qualquer povoado brasileiro) estão preocupados com um esgoto a céu aberto que causa diversos problemas de saúde pública. Para a solução do problema, a população pleiteia há muito tempo a construção de uma fossa. Para tanto, reunem-se no início do filme os próprios moradores. Porém, a narrativa inicia antes de surgirem as imagens, com a personagem Marina (Fernanda Torres) chamando o público do cinema a acomodar-se. Há um diálogo, portanto, entre a personagem e a plateia. Ao iniciarem as imagens, percebe-se que o diálogo, na verdade, ocorre entre Marina e os demais habitantes do lugar que estão chegando para o encontro.
Na segunda obra, o lago que banha a cidade de Springfield, nos Estados Unidos (o número de cidades norteamericanas com esse nome é difícil de saber, portanto, poderia ser qualquer cidade daquele país) está totalmente poluído. Nesse ponto, ocorre a primeira aproximação entre as narrativas. De um lado, há um esgoto a céu aberto que está causando danos ambientais, de outro, há um lago que já não mais suporta receber dejetos e também implica em consequências ambientais difíceis.
A segunda aproximação entre as obras ocorre quando Homer Simpson está assistindo, junto com sua família, um desenho animado num cinema, e resolve criticar o fato de alguém pagar para assistir algo que passa gratuitamente na televisão, inclusive apontando para quem seriam as pessoas que disperdiçam dinheiro até chegar a apontar para o expectador. O diálogo criado entre Marina e o público aparece de maneira diferente entre Homer e quem está assistindo ao filme, porém, pode-se afirmar que o diálogo direto personagem-público existe.
Outra aproximação interessante entre as narrativas é a metaficção. Se os Simpsons assistem desenho animado no cinema, O monstro do fosso é uma obra ficcional cinematográfica produzida e apresentada pelos moradores de Linha Cristal. Nesse filme encapsulado, a poluição no córrego gerou um monstro adormecido que é acordado pelas obras de construção de um fosso (ou fossa, conforme discussão entre as personagens) e que poderia por Linha Cristal em risco. De maneira similar, embora não esteja integrando uma "narrativa dentro da narrativa", o lago de Springfield, devido à quantidade de dejetos, cria um "monstrinho": um peixe de muitos olhos que acaba por trazer sérias consequências à cidade.
Em termos formais das obras, o destaque mesmo continua no ponto do metaficcional. De um lado, um filme sobre quem produz um filme e de outro um desenho animado sobre quem assiste desenho animado. Nesse ponto, ambos os trabalhos conseguem realizar autocrítica e discutir a validade das obras dos seus respectivos gêneros.
Existem outras aproximações interessantes e observações importantes acerca das duas obras, mas este otário deixará em aberto pra que os leitores tenham o prazer da descoberta assistindo Saneamento básico - o filme e Os Simpsons - o filme.
Agora, segue um dos acontecimentos das casas dos tios
Sempre passava as férias de verão na casa de uns tios que moravam na zona rural de Herval do Sul, fronteira do Brasil com o Uruguai. Na verdade, eram vários casais e várias casas, mas eu frequentava duas. Uma, do tio Sérgio, que ficava ao norte da estrada, mas bem próximo a ela. Nessa casa, tinha luz elétrica e tudo mais. Nessa casa que passava a maior parte das férias pois tinha o primo que era quase da minha idade. Lá, a gente não costumava aprontar muito. Geralmente, o que fazia mais era jogar futebol, imitando as defesas do Higuita ou as cobranças de falta do fabuloso Zezinho, ponta esquerda do Brasil de Pelotas nos anos oitenta ou subia em árvores pra olhar o horizonte tentando fugir da gente. De fato, nada de extraordinário acontecia. Ou tudo era extraordinário, mas só pra gente.
Na outra casa, ao sul da estrada, a casa do tio Pedro, não havia luz elétrica, mas tinha uma égua petiça da bisavó, que não nos deixava montar (a égua é que não deixava, a bisavó deixava montar - na petiça, é claro). Tinha também um açude onde minha tia criava traíras de estimação. Nele, certa vez, ocorreu um fato curioso, mas nada de extraordinário.
Reza a lenda que a tia Nida alimentava, chamava pelo nome e acariciava um dos peixes enquanto aqueciam ao sol. Todos confirmavam. Meu tio, sempre proseador, sempre contava que via tia Nida acariciando a barriga da traíra. Eu, sempre espantado, perguntava se não mordia, mas jamais a resposta era de que o bicho se rebelara contra a dona. Muitos verões após eu ouvir contar histórias da tia e sua traíra de estimação, ouvi contar uma história ocorrida com meu primo. Diz que minha tia estava atarefada em casa. Era época da choca do peixe e eu ainda estava no período letivo, estudando pra chegar à sétima série. Meu primo morava na região e estava quase todos os finais de semana nas casas dos tios, sendo que o tio Sérgio era avô dele. Minha tia estava atarefada e não viu. Meu primo, de tanto acompanhar tia Nida, resolveu ir tratar os bichos, como se diz por aqui. Levou sei lá eu o quê pra dar às traíras. Deu comida, chamou pelo nome, mas não precisava, pois era época da choca e ela já estava à beira do pequeno lago artificial, aquecendo ao sol. O guri resolveu tentar o impensável: acariciar a barriga do peixe. Primeiro, foi aproximando, conversando, jurando que estava sendo ouvido. E o animalzinho continuou ali, tomando banho de sol. Aos poucos, foi aproximando a mão da água. Claro, se tocasse primeiro na superfície, certamente espantaria a presa ou, no caso, o bicho de estimação, uma traíra de pelúcua, pensou. Então, resolveu chegar rápido e delicadamente, evitando assustar e fazer a traíra fugir. Tanto foram os rodeios que enfiou a mão, como se desse um bote certeiro para pegar um pedaço de carne do churrasco que caiu no fogo, evitando se queimar. Mas foi só o tempo de enfiar a mão n'agua e sair com o fruto da pesca no anzol formado pelo dedo. Conseguiu tirar da água uma traíra que já estava sendo criada há mais de cinco anos, o que significa um peso razoável. A sorte é que o dedo não tem fisga, por isso o peixe conseguiu soltar o dedo rapidamente ao sair da água. Mas o estrago já estava feito e o primo ficou com o dedo rasgado. Tanto que feriu o tendão e fez com que o dedo ficasse com sequela: formou-se um desvio de maneira a parecer mesmo uma fisga.
Ao mostrar o dedo do primo aos amigos, jamais conseguiria contar que foi assim. Na segunda frase, todos já estariam enjoados de ouvir. Então eu resolvia dizer que havíamos descoberto uma antiga estação férrea que era usada de depósito de agrotóxicos e que havíamos sido pegos pelos caseiros do local. Daí passávamos por aventuras que poderiam culminar com o dedo quebrado do meu primo e conseguir evitar que os produtos fossem jogados numa sanga de um lugar fictício chamado Carvalho de Freitas, divisa de Pedro Osório e Herval do Sul, sul do Rio Grande do Sul, onde hoje estaria tomada de eucalíptos para a exportação de água.
Na outra casa, ao sul da estrada, a casa do tio Pedro, não havia luz elétrica, mas tinha uma égua petiça da bisavó, que não nos deixava montar (a égua é que não deixava, a bisavó deixava montar - na petiça, é claro). Tinha também um açude onde minha tia criava traíras de estimação. Nele, certa vez, ocorreu um fato curioso, mas nada de extraordinário.
Reza a lenda que a tia Nida alimentava, chamava pelo nome e acariciava um dos peixes enquanto aqueciam ao sol. Todos confirmavam. Meu tio, sempre proseador, sempre contava que via tia Nida acariciando a barriga da traíra. Eu, sempre espantado, perguntava se não mordia, mas jamais a resposta era de que o bicho se rebelara contra a dona. Muitos verões após eu ouvir contar histórias da tia e sua traíra de estimação, ouvi contar uma história ocorrida com meu primo. Diz que minha tia estava atarefada em casa. Era época da choca do peixe e eu ainda estava no período letivo, estudando pra chegar à sétima série. Meu primo morava na região e estava quase todos os finais de semana nas casas dos tios, sendo que o tio Sérgio era avô dele. Minha tia estava atarefada e não viu. Meu primo, de tanto acompanhar tia Nida, resolveu ir tratar os bichos, como se diz por aqui. Levou sei lá eu o quê pra dar às traíras. Deu comida, chamou pelo nome, mas não precisava, pois era época da choca e ela já estava à beira do pequeno lago artificial, aquecendo ao sol. O guri resolveu tentar o impensável: acariciar a barriga do peixe. Primeiro, foi aproximando, conversando, jurando que estava sendo ouvido. E o animalzinho continuou ali, tomando banho de sol. Aos poucos, foi aproximando a mão da água. Claro, se tocasse primeiro na superfície, certamente espantaria a presa ou, no caso, o bicho de estimação, uma traíra de pelúcua, pensou. Então, resolveu chegar rápido e delicadamente, evitando assustar e fazer a traíra fugir. Tanto foram os rodeios que enfiou a mão, como se desse um bote certeiro para pegar um pedaço de carne do churrasco que caiu no fogo, evitando se queimar. Mas foi só o tempo de enfiar a mão n'agua e sair com o fruto da pesca no anzol formado pelo dedo. Conseguiu tirar da água uma traíra que já estava sendo criada há mais de cinco anos, o que significa um peso razoável. A sorte é que o dedo não tem fisga, por isso o peixe conseguiu soltar o dedo rapidamente ao sair da água. Mas o estrago já estava feito e o primo ficou com o dedo rasgado. Tanto que feriu o tendão e fez com que o dedo ficasse com sequela: formou-se um desvio de maneira a parecer mesmo uma fisga.
Ao mostrar o dedo do primo aos amigos, jamais conseguiria contar que foi assim. Na segunda frase, todos já estariam enjoados de ouvir. Então eu resolvia dizer que havíamos descoberto uma antiga estação férrea que era usada de depósito de agrotóxicos e que havíamos sido pegos pelos caseiros do local. Daí passávamos por aventuras que poderiam culminar com o dedo quebrado do meu primo e conseguir evitar que os produtos fossem jogados numa sanga de um lugar fictício chamado Carvalho de Freitas, divisa de Pedro Osório e Herval do Sul, sul do Rio Grande do Sul, onde hoje estaria tomada de eucalíptos para a exportação de água.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Registrando um Dilma Feliz
A esperança venceu o medo
O respeito venceu o ódio
A liberdade venceu o preconceito
A inteligência venceu a desinformação
O olhar venceu a manipulação
O bom humor venceu a palhaçada
A luz venceu o aborto
O povo venceu tudo isso
Mas não foi bem assim
Foi assim
O medo foi vencido pela esperança
O ódio foi vencido pelo respeito
O preconceito foi vencido pela liberdade
A desinformação foi vencida pela inteligência
A manipulação foi vencida pelo olhar
A palhaçada perdeu o bom humor e para o bom humor
O aborto voltou-se contra o abortante
Tudo isso vencido pelo povo
O fujão foi vencido pela guerreira e a guerreira venceu o fujão. Simples assim!
O respeito venceu o ódio
A liberdade venceu o preconceito
A inteligência venceu a desinformação
O olhar venceu a manipulação
O bom humor venceu a palhaçada
A luz venceu o aborto
O povo venceu tudo isso
Mas não foi bem assim
Foi assim
O medo foi vencido pela esperança
O ódio foi vencido pelo respeito
O preconceito foi vencido pela liberdade
A desinformação foi vencida pela inteligência
A manipulação foi vencida pelo olhar
A palhaçada perdeu o bom humor e para o bom humor
O aborto voltou-se contra o abortante
Tudo isso vencido pelo povo
O fujão foi vencido pela guerreira e a guerreira venceu o fujão. Simples assim!
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