segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cordiais saudações

Wikileaks
A América soluça:
"A solução é dissolver Assange"

Wikileaks
A América rica fica
se comunica e se trumbica

Wikileaks
A Mary, cá, perdeu os seu segredos

Wikileaks
Morro de Velho
(Alemão? Cruzeiro?)
Não leio tudo.

Ouvi o choro da Mary, cá
Ouvi o soluço da América
Wikileaks

sábado, 13 de novembro de 2010

Sábado animado: vídeo e rádio

Encontrei, não por acaso, um vídeo que me fez ter boas risadas. Tive acesso a ele através de uma notícia enviada pelo blogueiro responsável pelo Os Seelwas e que será apresentada daqui alguns minutos no programa Tons & Ecos, da radiovidasul.org
O referido trabalho radiofônico é produzido pelo movimento ambientalista VerdeNovo e este blogueiro participa como convidado. Portanto, é possível conhecer minha voz de cantor de banheiro e dar umas risadas dos meus pitacos.
A produção audiovisual é autoexplicativa. Basta clicar no play e conferir.
O vídeo está aí em baixo e o programa pode ser ouvido, como em todos os sábados, a partir das 19h, clicando no link da rádio aí em cima.

domingo, 7 de novembro de 2010

Meta-se na ficção: metaficção

Sempre quis ser escritor. Desde a infância inventava histórias (o termo "estória", pro meu gosto, é apenas um fabuloso neologismo do Guimarães Rosa). As minhas sempre eram contadas como se fossem reais, assim com são escritos os livros de história da escola. Então eu procurava ser o mais verossímel possívil, digo, veromíssil povíssel, ou melhor... melhor deixar pra lá. Sempre procurei deixar os fatos contados com jeito de fatos reais. Buscava fazer com que os meus ouvintes acreditassem mesmo que havia acontecido certa vez na casa de um tio que morava na fronteira com o Uruguai ou quando aprendi a nadar por ter sido deixado, sem querer, pelo meu avô, em terra firme enquanto ele e meu tio saíam de barco pra pescar e que fui nadando até a embarcação, coisa de uns cinco metros. De fato, tinha tios que moravam na fronteira com o Uruguai, mas não ocorriam histórias malucas pra serem contadas numa roda de amigos. Além disso, aprendi a nadar numa praia de lagoa, em que a profundidade mal chegava a deixar a água molhar o saco. Mas a maneira com que contava as histórias, sempre procurando torná-las críveis, é que acabava sendo interessante, mesmo que meus amigos desconfiassem do teor de verdade em cada uma delas. O que lhes importava, acredito, era que tudo parecia real e rendiam boas risadas ou mijo na cama.
Assim iniciou minha carreira de escritor. A carreira de um escritor que ainda não conseguiu concluir um conto sequer, muito menos publicar algo em livro. Mas creio que isso não me tira o caráter de escritor. Invento histórias e as escrevo e isso é o que importa. Evidentemente, em respeito aos leitores deste espaço, não as publico aqui. Quem sabe algum dia eu as consiga concluir e publicar em formato impresso, pra ser lançado em feira do livro ou coisas do gênero. Além de escritor, também sou pretensioso crítico literário. Digo pretensioso porque, embora especialista certificado na área, sei que ainda tenho muito chão pra andar e muito livro pra folhear. Minha especialização, portanto, é em Literatura Comparada. Nessa área, o importante é analisar alguns aspectos de determinada obra e observar como se relaciona com outra ou com outras áreas do conhecimento. Pra demonstrar um pouco como isso funciona na prática, resolvi fazer uma pequena análise usando duas obras externas à literatura, ainda que narrativas e adotando apenas alguns aspectos. Escolhi analisar "Saneamento Básico - O filme", de Jorge Furtado e "Os Simpsons - O filme", de Matt Groening. Alerto, no entanto, o leitor, que será uma curtíssima análise, na qual apontarei algumas aproximações entre a obra cinematográfica de Furtado e o desenho animado de Groening. Depois dessa crítitica que segue, tentarei contar uma das peripécias que aconteciam na casa dos meus tios. Das que realmente aconteciam, não as que inventei. Aí meus leitores saberão o quão sem graça eram os fatos que eu precisava distorcer. Mas primeiro apresento o ensaio.

Springfield e Linha Cristal: Os filmes

Um dos temas mais caros à humanidade nos últimos tempos é a preocupação com questões ambientais. As mudanças climáticas e o esgotamento dos recursos terrestres são questões que fazem com que cientistas, entidades não-governamentais, políticos e a classe artística tomem um discurso forte em torno das soluções a esses problemas.
No mesmo caminho, duas obras que chegaram aos cinemas brasileiros no ano de 2007 chamam atenção. São elas Saneamento básico - o filme, do gaúcho Jorge Furtado, e Os Simpsons - o filme, do norteamericano Matt Groening.
No primeiro, os moradores da localidade chamada Linha Cristal (que bem poderia ser qualquer povoado brasileiro) estão preocupados com um esgoto a céu aberto que causa diversos problemas de saúde pública. Para a solução do problema, a população pleiteia há muito tempo a construção de uma fossa. Para tanto, reunem-se no início do filme os próprios moradores. Porém, a narrativa inicia antes de surgirem as imagens, com a personagem Marina (Fernanda Torres) chamando o público do cinema a acomodar-se. Há um diálogo, portanto, entre a personagem e a plateia. Ao iniciarem as imagens, percebe-se que o diálogo, na verdade, ocorre entre Marina e os demais habitantes do lugar que estão chegando para o encontro.
Na segunda obra, o lago que banha a cidade de Springfield, nos Estados Unidos (o número de cidades norteamericanas com esse nome é difícil de saber, portanto, poderia ser qualquer cidade daquele país) está totalmente poluído. Nesse ponto, ocorre a primeira aproximação entre as narrativas. De um lado, há um esgoto a céu aberto que está causando danos ambientais, de outro, há um lago que já não mais suporta receber dejetos e também implica em consequências ambientais difíceis.
A segunda aproximação entre as obras ocorre quando Homer Simpson está assistindo, junto com sua família, um desenho animado num cinema, e resolve criticar o fato de alguém pagar para assistir algo que passa gratuitamente na televisão, inclusive apontando para quem seriam as pessoas que disperdiçam dinheiro até chegar a apontar para o expectador. O diálogo criado entre Marina e o público aparece de maneira diferente entre Homer e quem está assistindo ao filme, porém, pode-se afirmar que o diálogo direto personagem-público existe.
Outra aproximação interessante entre as narrativas é a metaficção. Se os Simpsons assistem desenho animado no cinema, O monstro do fosso é uma obra ficcional cinematográfica produzida e apresentada pelos moradores de Linha Cristal. Nesse filme encapsulado, a poluição no córrego gerou um monstro adormecido que é acordado pelas obras de construção de um fosso (ou fossa, conforme discussão entre as personagens) e que poderia por Linha Cristal em risco. De maneira similar, embora não esteja integrando uma "narrativa dentro da narrativa", o lago de Springfield, devido à quantidade de dejetos, cria um "monstrinho": um peixe de muitos olhos que acaba por trazer sérias consequências à cidade.
Em termos formais das obras, o destaque mesmo continua no ponto do metaficcional. De um lado, um filme sobre quem produz um filme e de outro um desenho animado sobre quem assiste desenho animado. Nesse ponto, ambos os trabalhos conseguem realizar autocrítica e discutir a validade das obras dos seus respectivos gêneros.
Existem outras aproximações interessantes e observações importantes acerca das duas obras, mas este otário deixará em aberto pra que os leitores tenham o prazer da descoberta assistindo Saneamento básico - o filme e Os Simpsons - o filme.


Agora, segue um dos acontecimentos das casas dos tios

Sempre passava as férias de verão na casa de uns tios que moravam na zona rural de Herval do Sul, fronteira do Brasil com o Uruguai. Na verdade, eram vários casais e várias casas, mas eu frequentava duas. Uma, do tio Sérgio, que ficava ao norte da estrada, mas bem próximo a ela. Nessa casa, tinha luz elétrica e tudo mais. Nessa casa que passava a maior parte das férias pois tinha o primo que era quase da minha idade. Lá, a gente não costumava aprontar muito. Geralmente, o que fazia mais era jogar futebol, imitando as defesas do Higuita ou as cobranças de falta do fabuloso Zezinho, ponta esquerda do Brasil de Pelotas nos anos oitenta ou subia em árvores pra olhar o horizonte tentando fugir da gente. De fato, nada de extraordinário acontecia. Ou tudo era extraordinário, mas só pra gente.
Na outra casa, ao sul da estrada, a casa do tio Pedro, não havia luz elétrica, mas tinha uma égua petiça da bisavó, que não nos deixava montar (a égua é que não deixava, a bisavó deixava montar - na petiça, é claro). Tinha também um açude onde minha tia criava traíras de estimação. Nele, certa vez, ocorreu um fato curioso, mas nada de extraordinário.
Reza a lenda que a tia Nida alimentava, chamava pelo nome e acariciava um dos peixes enquanto aqueciam ao sol. Todos confirmavam. Meu tio, sempre proseador, sempre contava que via tia Nida acariciando a barriga da traíra. Eu, sempre espantado, perguntava se não mordia, mas jamais a resposta era de que o bicho se rebelara contra a dona. Muitos verões após eu ouvir contar histórias da tia e sua traíra de estimação, ouvi contar uma história ocorrida com meu primo. Diz que minha tia estava atarefada em casa. Era época da choca do peixe e eu ainda estava no período letivo, estudando pra chegar à sétima série. Meu primo morava na região e estava quase todos os finais de semana nas casas dos tios, sendo que o tio Sérgio era avô dele. Minha tia estava atarefada e não viu. Meu primo, de tanto acompanhar tia Nida, resolveu ir tratar os bichos, como se diz por aqui. Levou sei lá eu o quê pra dar às traíras. Deu comida, chamou pelo nome, mas não precisava, pois era época da choca e ela já estava à beira do pequeno lago artificial, aquecendo ao sol. O guri resolveu tentar o impensável: acariciar a barriga do peixe. Primeiro, foi aproximando, conversando, jurando que estava sendo ouvido. E o animalzinho continuou ali, tomando banho de sol. Aos poucos, foi aproximando a mão da água. Claro, se tocasse primeiro na superfície, certamente espantaria a presa ou, no caso, o bicho de estimação, uma traíra de pelúcua, pensou. Então, resolveu chegar rápido e delicadamente, evitando assustar e fazer a traíra fugir. Tanto foram os rodeios que enfiou a mão, como se desse um bote certeiro para pegar um pedaço de carne do churrasco que caiu no fogo, evitando se queimar. Mas foi só o tempo de enfiar a mão n'agua e sair com o fruto da pesca no anzol formado pelo dedo. Conseguiu tirar da água uma traíra que já estava sendo criada há mais de cinco anos, o que significa um peso razoável. A sorte é que o dedo não tem fisga, por isso o peixe conseguiu soltar o dedo rapidamente ao sair da água. Mas o estrago já estava feito e o primo ficou com o dedo rasgado. Tanto que feriu o tendão e fez com que o dedo ficasse com sequela: formou-se um desvio de maneira a parecer mesmo uma fisga.
Ao mostrar o dedo do primo aos amigos, jamais conseguiria contar que foi assim. Na segunda frase, todos já estariam enjoados de ouvir. Então eu resolvia dizer que havíamos descoberto uma antiga estação férrea que era usada de depósito de agrotóxicos e que havíamos sido pegos pelos caseiros do local. Daí passávamos por aventuras que poderiam culminar com o dedo quebrado do meu primo e conseguir evitar que os produtos fossem jogados numa sanga de um lugar fictício chamado Carvalho de Freitas, divisa de Pedro Osório e Herval do Sul, sul do Rio Grande do Sul, onde hoje estaria tomada de eucalíptos para a exportação de água.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Registrando um Dilma Feliz

A esperança venceu o medo
O respeito venceu o ódio
A liberdade venceu o preconceito
A inteligência venceu a desinformação
O olhar venceu a manipulação
O bom humor venceu a palhaçada
A luz venceu o aborto
O povo venceu tudo isso
Mas não foi bem assim

Foi assim
O medo foi vencido pela esperança
O ódio foi vencido pelo respeito
O preconceito foi vencido pela liberdade
A desinformação foi vencida pela inteligência
A manipulação foi vencida pelo olhar
A palhaçada perdeu o bom humor e para o bom humor
O aborto voltou-se contra o abortante
Tudo isso vencido pelo povo

O fujão foi vencido pela guerreira e a guerreira venceu o fujão. Simples assim!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Aviso aos amigos leitores que eventualmente não gostarem do fato deste blog assumir uma postura político-eleitoral mais forte nos últimos dias: é uma necessidade deste blogueiro em ajudar a evitar o retorno de uma turma tenebrosa ao comando da nação. Danação sofreremos caso ocorra tal fato. Então, solicito apenas que votem em Dilma 13 e tenham paciência que logo as postagens "normais" retornarão. Até mesmo porque encontrei o bloquinho de anotações e estou, como se diz por aqui, na ponta dos cascos!
No mais, encontrei um texto que me assustou um pouco e repasso o link ao leitor. Trata-se da fragilidade da urna eletrônica. Basta clicar no link abaixo.

http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/asia-oceania/comprovado-que-urna-eletronica-e-sujeita-a-fraude/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alô alô, Terezinhaaaaaa!

A coordenação de campanha pró-Serra: estou montando uma gráfica. Folhetos acusando a Dilma de qualquer coisa que quiserem, até de ter matado o Werner Schünemann na novela das oito podem ser encomendados pelo telefone (11) 35111700. Cobro por cada.
A TFP: faço campanha de arrecadação via internet. Peço ajuda aos necessitados por vocês. Aliás, peço aos necessitados que nos ajudem e digo que é pra ajudar aos necessitados. Se tiver interesse, basta contactar João Sérgio Guimarães, presidente da TFP.
A Folha de Sumpaulo: o Fernandinho Beira-Mar tem uma grave denúncia de pedido de propina na Casa Civil. Já encaminhei a fonte confiável. Agora é com vocês investigarem.
A Zero Hora: Adiantem o serviço reclamando da falta de policiamento no governo Tarso. Não esperem acontecer! CPI já!

domingo, 10 de outubro de 2010

Sim ao aborto!

Hoje acordei anti-abortivo, anti-democrático e anti-inflamatório. Não. Na verdade, acordei antiabortivo, antidemocrático e anti-inflamatório, segundo as novas regras.
A bem da dita verdade, a dita dura verdade (cacofonia velha, mas funcional) sou favorável ao aborto. Não falo em aborto de gente. Isso é outra discussão. Sou favorável ao aborto de determinadas ideias, como o de uso de baixaria em campanha eleitoral. Favorável a abortar o jogo sujo e o golpe baixo. Pra mim, quando alguém começa a gestar uma ideia imbecil, deve abortá-la imediatamente. Mas isso é antidemocrático, não é? Que se dane! Já disse: hoje acordei antidemocrático, dentre outros anti.
Voltando ao caso de acordar antiabortivo, não querendo criar confusão nos leitores, mas criando, acordei assim porque acordei com vontade de defender que não se deve abortar coisas que realmente estão dando certo, mesmo que seja um certo meio duvidoso, mesmo que estejam dando certo com pontuais ressalvas, coisas que dão certo mas que apresentam um Belo Monte de problemas. Mas, ainda assim, são coisas que estão dando relativamente certo e que não podem ser abortadas, principalmente por procedimentos anti-higiênicos. Sou antiabortivo por não querer que abortem um projeto fraco, mas que pode ser melhorado em favor de um que cria anacéfalos, filhos de violações de todas as espécies e, principalmente, tem seu jogo sujo escondido por uma cortina midiática ojerizante.
Por isso, acordei e bloqueei alguns nomes da minha lista de contatos de e-mail: pretendo abortar algumas ideias estúpidas pra que não seja abortado um trabalho que pode ser melhorado.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

De negrinhos, um cineasta crítico e a liberdade de expressão

Meu caderninho de anotações parece realmente ter tomado aquele remédio pra dor de cabeça. Não consigo localizá-lo, muito menos encontrá-lo, tampouco achá-lo. Talvez eu precise procurar uma mãe de santo (ou mãe-de-santo, ou ainda mãedessanto...) ou fazer promessa pra São Longuinho (isso fica estranho...). Aqui no Sul, costuma-se procurar o Negrinho. Não me refiro ao doce e sim ao do Pastoreio. Aliás, o Brasil pouco conhece sobre os dois. Do doce, por exemplo, conhece a coisa, mas não liga ao nome. Negrinho é o nome que damos ao Brigadeiro. Não o Brigadeiro das Amadas Forças Armadas, mas o docinho feito de chocolate com aquelas deliciosas imitações de cocozinho de rato. O outro Negrinho, o do Pastoreio, é o do folclore. Tudo coisa do estado mais politizado do país, mas que elegerá Ana Amélia Lemos como senadora só porque aparece na tv dizendo que conversou com o fulano, mesmo que ninguém saiba quem é o tal do fulano. Mas este estado também faz escolhas inteligentes. Não é só governadora das pantalhas e senadora cria da ditadura, mas escolhe bem em termos de arte. Cinema é um tema caro ao gaúcho. Aliás, é por aqui que existe um dos mais importantes centros de produção cinematográfica do país, a Casa de Cinema de Porto Alegre. Mas não quero me ater atoa à casa. Todo esse rodeio (aliás, outro aliás, também não gosto de rodeios) é pra falar do cineasta Jorge Furtado. Já comentei aqui Saneamento Básico, o filme e postei um pastiche (ou seria um pistache?) de Ilha das Flores. Agora, gostaria de apresentar aos meus leitores, um Jorge Furtado crítico. Mas acho melhor o próprio Furtado (que não é o Senhor Furtado do Chaves) apresentar seu lado crítico. Clique aqui e leia o blog do próprio. Mas com um aviso: é um comentário politítico.




Atualizando em tempo:
Saiba do encontro entre militares e representantes da Veja e da corporação Globo "em defesa da liberdade de expressão" clicando aqui.










segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Valhapena...

Já faz um tempinho que este blog postou uma imagem, na qual consta uma lista sobre os meios meios de comunicação (falo em meio porque não é princípio nem fim) que estão com a outorga pública vencida. Muitos deles, portanto, estão atuando clandestinamente. E tem muita gente grande no assunto. Meus leitores mais assíduos devem lembrar. Os novos, podem conhecer a lista, da mesma forma que um link que leva ao sitio do Ministério das Comunicações pra fazer a própria pesquisa. Basta clicar aqui.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Império Romano - IR, por Groucho


Ainda não recuperei meu bloquinho de anotações. Isso faz com que eu continue dependendo da memória que também não é lá essas coisas. Então continuo no meu esforço pra ter assunto pra escrever, já que, quando lembro, estou longe de um computador e quando estou próximo, esqueço o que queria dizer. Assim vou.
O flato, digo, o fato é que lembrei de algumas amenidades que gostaria de partilhar com meus leitores.
A primeira historinha diz respeito ao recesso julino. Durante a última semana do mês que homenageia Júlio César, houve as tradicionais "férias do Júlio" que, segundo reza a lenda, teve início no Império Romano, quando o Imperador (ave!) saía a conhecer belos lugares, belas mulheres e belas mulheres dos lugares, além dos belos lugares das mulheres, deixando Roma em férias. Esse costume veio até a atualidade, porém, sendo incorporado apenas ao calendário escolar. Sigo a história.
Durante as tais férias, fui viajar ao Uruguay. Não quero ficar tecendo comentários turísticos sobre a hospitalidade do povo de lá, nem que Montevideo é uma cidade fantástica. Quero falar é de um momento epifânico que lembrei de ter tido quando estava lá. Explico: há um tempo, tive uma epifania: sou marxista, mas não pelo pensamento do Karl e sim o de Groucho. Só não me peçam pra explicar o que significa ser marxista pela tendência de Groucho. Recomendo ler a respeito e assistir os filmes. E agora isso me veio à cabeça, graças à campanha política. Corta esse parágrafo aí, menino!
Outra narrativazinha que veio ao desembaraço é a respeito de quanto a justiça e a mídia nesse país continuam caçando borboletas. Pensando bem, essa historinha se parte em duas: a primeira, diz respeito ao famoso arqueiro que teria esquartejado a mulher e, com ajuda de um fiel escudeiro, atirado os pedaços aos cães, além de enterrar os poucos pedaços restantes no concreto. Tem testemunha e tudo. Porém, como não se encontra o corpo, a justiça começa a trabalhar pela hipótese de não haver assassinato, já que não há defunto. A hipótese agora é a da lesão corporal. Aposto minha reputação (que já não é lá essas coisas) que os dois serão absolvidos. Sem quebrar parágrafo, sigo em direção à segunda (quem mudou de linha foi o editor de texto, o que pode ser reparado pelo inicio do outro assunto na mesma linha, marcado pela fonte em destaque). Vazou a declaração de IR de alguns políticos chegados ao candidato Serra e ao ex-presida FHC. A mídia toda bate em cima pra que se declare que foi alguém ligado à Dilma quem fez o furo pra fazer a coisa vazar. Até aí, tá legal. Vazar a intimidade dos outros é uma coisa muito feia. Mas o que tem na tal declaração que faz com que essa gente má tenha pretensão de torná-la pública? Ou refazendo a pergunta: a tal declaração de IR compromete a quem?


domingo, 18 de julho de 2010

A volta do regresso

Perdi meu bloquinho de anotações e, por tal motivo, também perdi as ideias de assuntos pra postar aqui. Esse é o principal motivo pelo aparente abandono deste espaço. Na encadernação, tinha anotações importantes sobre assuntos desimportantes como copa do mundo, cinema, literatura, meu emprego, o emprego do hífen, ítens em geral. Aos poucos, devo lembrar de um ou outro ponto e ir postando. Inicio por um tema deveras problemático: um (de)puta(do) de origem comunista que resolveu apoiar a aprovação das alterações no código florestal e apoiar todos os ruralistas da direita sob duas alegações: não existem mudanças climáticas decorrentes da atividade humana e os ativistas ambientalistas estão a serviço do imperialismo. Sério! Não é piadinha minha. E olha que eu adoraria contar uma dessas!
Aldo Rebelo é o nome da figura. Fiquei tão feliz com as colocações dele que resolvi escrever uma carta ao nobre fdp em respeitosa resposta. O texto segue:

Exmo Sr. Deputado desta Res Púb(l)ica
Dirijo-me a V. Exa. com o intuito de, peremptoriamente, complacer deverasmente com sua prosopopeia em apoio à despundonorizada caterva brilhantemente liderada pela não menos Excelente Sena(dor)a Kátia. Devo apontar o denodo ao qual o nobre representante dos ideais stalinistas se uniu ao grupo desgregado e desprovido de escrúpulos sob o subterfúgio de "salvar a nação dos imperialistas" (perdoai o linguajar populesco!).
Meu anelo, em verdade, é o de que Minerva controle as faculdades cogno-intelecto-esfínctera dos demais componentes dos seus nobres colegas, para que, com propósito cristalino, o seu relato elucidante venha a ser consagrado e reafirmado.
Portanto, como V. Exa. evacuou seu esfíncter ao expelir tamanho bolo fecal, disponho-me a instigar ao semideus Príapo, guardião dos jardins e das plantações, a que lance sua arma fálica para preencher o espaço dantes ocupado pelo material excretório na sua ampola retal.
Respeitosamente,
Um imperialista da mentira!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mais um pouco sobre José Saramago

No post anterior, tentei informar meus leitores sobre a passagem do genial José Saramago deste mundo. Depois disso, surgiram alguns comentários que, creio, deixei passar batido. Acho que devo postá-los agora, em nova postagem, porque é uma forma de digerir melhor a notícia.
Começo por duas falas do próprio escritor. A primeira, de que os cientistas não sabem de nada, mas explicam tudo, enquanto que os poetas sabem de tudo, mas não explicam nada. A segunda, inclusive já foi citada no Sul21 e que acompanha algumas coisas que já escrevi aqui: o tuíter!: “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”. Não vou estender essa discussão ainda mais. Até mesmo por não ser necessário.
Termino as observações pela experiência que tive hoje à tarde. Ao chegar na escola que trabalho, estava cabisbaixo com a notícia. Pensei em pedir atenção de todos na Sala do Avon e dar a notícia, mas algo me conteve. Fiquei lá, aguardando o início da aula. Então, a maioria dos colegas foi pras respectivas salas e eu fiquei com mais duas professoras um pouquinho mais, já que as nossas turmas entram minutos depois. Nesse instante, percebi a tv ligada e a chamada pra notícia da morte de Saramago. Claro que isso foi noticiado beeeeem depois que terminou o jogo da Copa. Então, uma das colegas que parecia desatenta perguntou: "quem morreu?" e a minha resposta foi mais que de bate-pronto (pra usar a linguagem futebolística): "Saramago". Pra minha surpresa, da mesma forma que respondi, recebi outra pergunta: "e quem era ele?". Foi o suficiente pra me deprimir. Definitivamente.

Extremamente triste com a perda!

É exatamente assim que se sente este otário ao ler no site Sul21 a partida de ninguém mais ninguém menos que o Nobel de Literatura José Saramago. E não é uma piadinha sem graça deste blogueiro! O autor de "O Evangélio segundo Jesus Cristo" e "Ensaio sobre a cegueira" faleceu hoje pela manhã!
Mas o pior de tudo, é saber que ocorreu o óbito às 09h (horário de Brasília) e já passam das 11h e 30min e a grande imprensa ainda não deu uma linha. Se fosse alguém ligado ao futebol?
Isso me remete a quando Mário Quintana partiu desta pra uma outra. No mesmo período, foi-se o tal de Senna. O país inteiro chorou a perda do cara que se naturalizou em outras bandas pra pagar menos impostos e fez de conta que o poeta nem existia.
Lamentável!

domingo, 6 de junho de 2010

Teste sua pegada!

Muito tenho batido aqui na necessidade de rever toda uma cultura agressiva ao planeta. Aliás, há algum tempo que não falo no tema, mas já falei muito quando iniciei na difícil arte de escrever um blogue. Pois bem. Quem acompanha este espaço, sabe o quanto procuro me comprometer com as questões socioambientais. Como hoje me bateu um saudosismo, resolvi retomar, mais uma vez, esse assunto.
Dessa vez, o que me veio à reflexão foi a ideia de quanto estou, particularmente, comprometendo o ambiente no qual vivo. Qual seria a minha "pegada ecológica"? Antes de responder a isso, preciso deixar claro ao leitor mais desavisado o que exatamente é essa tal pegada.
Não. Não trato aqui daquela pegada que enlouquece as mulheres, quando a gente (os homens, principalmente) chega com firmeza, calor e ousadia, endurecendo sem perder a ternura, toma a parceira (no meu caso, mulheres) de maneira a não deixar fôlego, arrebatando com volúpia e uma pitada de rudez carinhosa, fazendo com que elas se entreguem totalmente ao prazer. Não é desta pegada que falo. A pegada a qual falo, é comparável àquela que deixamos na praia, quando pisamos na areia molhada, ou num terreno lodoso. Falo da pegada no sentido de deixar marcada a nossa passagem. Não que a primeira forma de pegada não deixe marcas da passagem do homem na vida da mulher, mas na segunda é a marca que vem melhor ao caso.
Sendo assim, a pegada ecológica (note o leitor que já não aguenta mais ler essa palavra nesse texto, logo direi o motivo de tanta repetição) nada mais é do que a marca que deixamos na nossa existência. A marca deixada pelo nosso ato de pisar em algo. Pisar na Terra. Por consequência, é o efeito de toda a nossa existência: o que consumimos, o que dejetamos, o que destruímos pra benefício (sic) próprio.
Voltando à questão da minha pegada (lembrando que não falarei da minha vida sexual, embora esteja atentado, pois daria um miniconto interessante), descobri, um site onde calculo o quanto estou prejudicando o planeta. Basta entrar no site www.pegadaecologica.org.br ou em www.oeco.com.br/calculadora (sendo este o mais interessante) e responder às perguntas. No final, após a 15ª questão, ele indica a quantidade de planetas iguais à Terra seriam necessários pra sustentar a vida caso todos tivessem o mesmo rítmo de consumo. Vale lembrar que é apenas uma ideia e que as questões são genéricas, sem considerar pormenores, mas dá pra tirar algumas conclusões. No meu caso, um sujeito que tem preocupações socioambientais e vive tagarelando isso, precisaríamos de dois exemplares do nosso planeta. O leitor poderá clicar no link de um dos sites e verificar a sua própria pegada. Se quiser verificar a outra pegada, deverá fazer outro tipo de teste.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Pode me ler, mas não precisa seguir

Já escrevi aqui que não gostava muito do tal de tuíter. E o pior é que o negócio virou uma febre, o que, segundo meus parvos conhecimentos da medicina, concluo que é sinal de uma doença infecciosa.
Por outro lado, Autran Dourado já disse, em "O risco do bordado", que períodos longos não são pra iniciantes. Juntando a isso, Jorge Furtado, ao fazer "O homem que copiava", afirmou que estamos numa época em que algumas pessoas têm memória de peixe. O produto dessas duas informações é o próprio tuíter. Quem não é muito chegado a escrever, acaba escrevendo pouco, de maneira curta, e em segundos o leitor esquece o que leu no hipertérmico instantâneo, justamente por ter outra breve informação logo alí, ao alcance dos olhos parados. Também é possível olhar aquele vídeo do iutubi, acessar orkut (leia-se colheita feliz), falar no msn, mandar sms, tudo ao mesmo tempo em que se lê e escreve no tal segundário.
Nem discuto a questão da pretensão de se achar que quem está no tuíter não tem leitores: tem seguidores.
E para acalorar mais este post que já ultrapassa os 39°C de temperatura, resolvi postar um vídeo do iutubi, produzido pro programa Massaroca, da TV Cultura. Mas um aviso: não é um vídeo de humor, mas um trabalho bem-humorado.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Há um ano, este otário falava

Gosto de apontar a incoerência dos outros. Não é legal? Minha mulher, por exemplo, sempre diz que é uma santa. Vivo exigindo que ela seja coerente. Ora, uma santa não deve perdoar a infidelidade? É o mínimo que se espera! Eu não. Sou mundano e não consigo perdoar. Ai dela, santa e casta, se for adúltera e não aceitar minha condição de infiel. Tá bem, eu sei. Meu leitor já matou a charada: não tenho mulher.
Na verdade, a mulher é que me tem e é ela quem exige tudo isso de mim. Eu só defendo essas coisas, mas não faço. Viu o que é ser incoerente? Incoerente e confuso.
Mas tanto gosto de apontar pros outros o meu dedo sujo de contradições que não consigo poupar nem a mim mesmo. E olha que contradição não é exatamente a mesma coisa que incoerência.
E pra que o leitor veja o quanto sou incoerente, vou pôr um link pra algumas postagens do ano passado, mais ou menos nessa mesma época. Clique aqui e leia por você mesmo, caro leitor.
E antes de mais nada, antes que alguém fique procurando incoerência entre o que disse naqueles dias e hoje, terá uma surpresa em perceber que está tudo aqui.
E (outro e...) atentem pros erros ortográficos: tudo fruto da preguiça em revisar...

Bem, olhando pra este post, nem sei se os leitores continuarão a ler este blog. Acho que agora me abandonam. Todos.

domingo, 25 de abril de 2010

História

A gente deve estudar história justamente pra fazer uso do conhecimento. Se estudarmos a segunda guerra, por exemplo, não se repetirá o horror nazista. Se estudarmos o outro lado da história do mesmo fato, não se repetirá os erros de cálculo dos nazistas e se conseguirá sair vitorioso da luta, deixando que os aliados da vez saiam como os verdadeiros monstros históricos, podendo até acusá-los dos mesmos horrores...
Por isso que costumo estudar um pouco de história. E sempre procuro observar o máximo possível dos lados que se envolveram nos fatos. Algumas vezes eu consigo trazer o fato pro meu benefício, outras, consigo ver quem está se beneficiando e assim vai. É, caro leitor, pelo jeito, dessa vez não será tão divertido o que lerá aqui. Estou cheio de histórias pra contar e nenhuma delas é tão divertida quanto às anteriores. Na verdade, tenho muita enrolação também, mas isso já é praxe aqui.
Eu poderia até contar aquela piada em que a loura tentava dormir num avião e um sujeito, tentando tirar vantagem daquele estereótipo, incomoda a tal moça, tentando lográ-la em algum dinheiro. Ela até que reluta, mas a insistência do fuleragem a vence. Então resolve ouvir o que o cidadão a propõe:
- É simples. Uma aposta: eu pergunto e você tenta adivinhar. Se acertar, pago quinhentos reais. Se errar, me paga cinquenta.
Ela aceitou, só pra ver se o sujeito insuportável a deixava em paz. E lá foi a tal pergunta:
- Qual o nome do jogador de futebol que mais fez gols em copas?
A loura nem se deu o trabalho em tentar responder. Abriu a carteira e logo pegou a nota, entregou ao abobado e virou pro outro lado, tentando dormir. Mas o sujeitinho resolveu encher o saco da pobre.
- Só pra terminar a conversa. Dessa vez, você pergunta e eu tento adivinhar. Do mesmo jeito, se eu acertar, recebo cinquenta reais seus. Se errar, pago quinhentos.
Então a loura fez a seguinte pergunta, tentando ver-se livre do paspalho:
- Quando o homem foi à lua pela primeira vez, deixou uma pegada na superfície lunar. Então eu pergunto: qual o número do sapato usado pelo astronauta no dia?
O sujeito pensou, pesquisou, tentou ligar pra todos conhecidos que poderiam ajudá-lo e não obteve resposta. Contrariado, abriu a carteira e entregou os quinhentos reais à garota. Após entregar o dinheiro, ainda curioso, perguntou a ela qual seria a resposta.
A loura abriu a carteira, entregou a ele cinquenta reais e, dessa vez, virou definitivamente pro lado e foi dormir.
Mas não vou contar esta história aqui porque é muito longa. O que vou fazer é falar um pouco de história e de como podemos utilizar fatos que não aconteceram a nosso favor.
Pensei nisso quando estudava a Independência do Brasil. Mais precisamente quando Dom João VI disse a Pedro: "Toma essa porra de coroa antes que algum bosta ponha ela na cabeça, caralho!"
Era a deixa pra que Pedro I viesse a reclamar a independência. Mas saltei no tempo e vim parar nos dias atuais, de mudanças climáticas. Me dei conta que, do mesmo jeito que a coroa portuguesa, muita gente que prejudica algo toma a frente em defender esse algo, enquanto continua a prejudicar o mesmo algo. Nossa, quanto algo!
Trocando em miúdos e deixando de lero-lero, contarei uma anedota pra ilustrar melhor o que digo.
Uma das escolas das quais eu trabalho fez uma grande atividade festiva semana passada. Aconteceu uma enorme quantidade de atividades legais, desde gincana de materiais de limpeza, onde cada material levado valeria uma pontuação específica, passando por passeios pela comunidade e chegando a atividades ecológicas promovidas por pessoas ligadas a uma empresa de celulose. Fim da anedota. Não teve graça, ? Pois eu também não acho graça nisso. Perceber que uma empresa que tem como principal finalidade a degradação do ambiente, através da monocultura, que exporta água em forma de pasta pra fazer papel higiênico (água essa que sai do Aquífero Guarany, um dos mais importantes do mundo) e que, pelo mesmo fator da monocultura, compra ou arrenda grandes extensões de terra e derruba as árvores nativas (leia-se, restos da mata atlântica e matas integrantes do Bioma Pampa) pra plantar eucalipto com a finalidade de limpar a bunda de europeu e norte-americano (isso mesmo! Estão limpando a bunda com as nossas florestas!). Enfim, perceber que uma empresa dessas está tomando a frente do discurso ambiental. É mais ou menos como colocar um estuprador pra ensinar crianças sobre DSTs. É nisso que lembrei quando comecei a falar em história. Lembrei que essa tal empresa está obedecendo exatamente o que sugeriu Dom João VI: está botando a porra da coroa na cabeça antes que os aventureiros dos ecochatos cuidem disso e mostrem à população os malefícios da monocultura. Acho que me estendi dessa vez. Mas foi pro bem da loura da piada.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Saudosismo ou nostalgia?

Vez por outra bate um saudosismo. Acabo até revirando o passado deste blog pra mostrar isso. Mas admito que essa nostalgia bate depois de determinados momentos. Peraí, eu disse nostalgia? Antes preciso esclarecer: nostalgia não é a mesma coisa que saudosismo. Nostalgia é saudade de algo que não aconteceu e saudosismo é algo mais amplo, referindo a algo que pode ter acontecido ou não. Pra ter um exemplo é como escutar músicas de épocas bem anteriores ao nosso nascimento. Aquele sentimento de que tudo era melhor naquela época é o de nostalgia. Escutar uma música da adolescência e lembrar de coisas ocorridas naquele período da vida é saudosismo, embora fique também um pouquinho de nostalgia por coisas que a gente não lembra se aconteceu assim ou assado, mas aí já é outra coisa. Em linhas gerais é mais ou menos quase isso. Mas voltando ao sentimento nostálgico, ontem estive numa assembleia (sem acento e com assento) dos servidores públicos municipais de uma das cidades nas quais trabalho. Bem, meus amigos leitores sabem que não sou favorável a identificar as localidades por julgar que poderiam representar várias outras e restringir seria um sacrilégio. Além disso, também não sou adepto de ficar falando muito da própria aldeia por não ficar a vontade. Mas deixemos as divagações truncantes pra lá. Vamos ao que interessa: minha nostalgia.
Ontem, tive a experiência mais inusitada da minha vida funcional. Descobri que existe um projeto que institui um cargo chamado "Líder de Equipe", cuja exigência mínima é ter apenas dezoito anos pra ocupá-lo. E não é o mesmo que eu o que ganhará esse tal sujeito, ainda que não se saiba o que faz o dito cujo. Não é mencionado sequer no projeto. E sabe a melhor parte? É Cargo de Confiança. Não precisa fazer concurso. Basta agitar a bandeira do partido que vencer a eleição. Agora fico me questionando: qual curso deverá fazer a pessoa que quiser ser "Líder de Equipe"? Fiquei imaginando as ofertas das escolas especializadas: "Faça já o seu Curso de Agitador de Bandeira e prepare-se pra concorrida vaga de Líder de Equipe" ou "Se você quer ser um Líder de Equipe, venha para cá. Oferecemos a disciplina de Agitação de Bandeira, para você concorrer à vaga, enquanto aguardamos a Prefeitura para nos dizer o que faz o Líder de Equipe para montarmos o restante da grade curricular". Salário básico inicial de R$ 610,00 mais vantagens (que são muitas).
O que me deixou nostálgico foi lembrar que há um ano, o mesmo governo disse que a média salarial do município era essa de R$ 1.089,27. Hoje eu lembro bem daquele dinheiro. Clique no valor e veja o meu salário padrão e as vantagens. Meu leitor terá um exemplo entre saudosismo e nostalgia.